quinta-feira, 23 de maio de 2013

Parabéns Maru!!!!



terça-feira, 21 de maio de 2013

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Isto sim é boa onda...Richie Campbell


Globos de Ouro

Chamem-me de fútil, de cabeça oca, do que quiserem, mas ontem estive agarrada à TV a ver os Globos de Ouro e gostei muito!
Gostei de todo o glamour, excepto o do Castelo Branco (continuo sem perceber porque raio lhe dão tanto protagonismo. Adorei as cores, a beleza, tudo, tudo! Adorei os sketches do César Mourão apesar de não lhe ter grande simpatia, adorei quando este pediu ao Diogo Morgado para que no novo programa da SIC ( Splash - que tem a haver com mergulhos na piscina),  fizesse o milagre da abrir a água da piscina assim que o Castelo Branco mergulhasse.Amei!
Fiquei felicíssima com o prémio de melhor actriz, adoro a Dalila Carmo! Adorei o prémio revelação, a Vitória Guerra é fantástica! O prémio dos Expensive Soul foi muito bem entregue, assim bem como a melhor música "Desfado" da Ana Moura. O Richie Campbell foi uma surpresa muito positiva, assim bem como o Jamie Cullum!
Os melhores vestidos para mim foram sem dúvida....

Diana Chaves (adoro o pormenor dos bolsos)

Andreia Rodrigues (provocante sim, mas quem pode, pode)

Dalila Carmo (adorável)
Luísa Beirão (a elegância e a beleza de mãos dadas)

quinta-feira, 16 de maio de 2013

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Banda Sonora do dia...

Graças ao colega de trabalho Z. A. que me ofertou este maravilhoso CD....

Ainda do casamento da Keira...

Simplicidade é uma característica que bem define a Keira Knightley. E é na simplicidade que se encontram as coisas mais belas. Hoje li um artigo da revista LUX, onde revelava o presente de casamento que o marido da Keira lhe terá ofertado, uma simples oliveira com 100 anos, com as suas iniciais e com a data de casamento gravada.
Que fofossss!

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Hoje estou triste...Tenho o coração partido...
O dia vai ser ao som desta menina...uma das vozes que me aquece o coração.


quarta-feira, 8 de maio de 2013

Gratidão ou a falta dela...

É muito triste quando damos o melhor de nós e não somos recompensadas por isso. Não que faça o que quer que seja com o objectivo de ser "recompensada", mas há uma coisa que se chama gratidão e que muita gente parece desconhecer.
É triste quando perdemos o nosso sono a planear a melhor forma de se surpreender alguém e do outro lado não ficam minimamente surpreendidos.

Verdade, verdadinha...

Hoje estou assim..


terça-feira, 7 de maio de 2013

Das coisas que me deixam triste...

O olhar triste do meu mais que tudo no dia do seu aniversário, por estar longe da sua família e amigos...

A história de Alice


Aos 71 anos ficou viúva pelas próprias mãos: agarrou num tubo de ferro e matou José. Foi condenada a 14 anos, cumpriu seis. A história da luta entre a mulher e o corpo que o marido marcou com nódoas negras

Alice deita a cabeça no ombro do inspector. A cara cai-lhe ao comprido dos ossos e, pelo meio de soluços, apenas uma frase: “Não aguentei mais.” O filho vai com a família a caminho de umas férias no Gerês quando o telefone toca para avisar da tragédia. “Uns homens vieram cá a casa e mataram o teu pai”, diz-lhe de rajada uma vizinha da mãe. O filho não pensa e faz inversão de marcha. Estava longe de adivinhar que a tragédia afinal ainda era maior.
Alice tem 32 anos, vive em casa dos pais e quer esquecer o primeiro marido e não voltar a pensar em casamento. Casou aos 18, a acreditar que seria para a vida. Foi um inferno: ele bebia, não trabalhava, jogava à batota pela noite dentro, perdia e ficava sem dinheiro. Nunca lhe bateu mas vendeu-lhe anéis, fios, pulseiras, propriedades. Um dia, aos 25, Alice desistiu: ele foi para casa dos pais dele, ela para casa dos pais dela, cheia de vergonha de regressar, adulta e falhada.

Assim se passaram sete anos, com Alice debaixo das saias dos pais a meter na cabeça que nascera sem sorte e que ali viveria para sempre, sem homem mas sem problemas. Mas uns tios foram insistindo, dizendo aqui e ali como o José era um homem de boas famílias e agora também estava solteiro, depois de um primeiro casamento que falhara mas “não por culpa dele”. Alice nem se lembra de aceitar. Não sorriram, não se amaram. Num dia nem era uma hipótese, no outro o casamento estava consumado. O amor era aquilo ou coisa nenhuma.

Trinta e oito anos de solidão Depois do casamento, bastaram alguns dias para adivinhar o calvário: José era, de facto, de boas famílias – seria difícil encontrar melhores sogros e cunhados –, mas não era um homem bom. “Era traçado, não de beber, que só bebia um copito de vinho à refeição. Era ruim, ruim das entranhas”, conta Alice, com o mindinho torcido sobre os lábios, a retroceder dos 79 para os 32 anos.
Alice e José viviam num anexo da casa da família dele. As tareias e as ofensas eram tão violentas que nunca foram segredo para quem vivia mesmo ali ao lado. O pai tentava impedi-lo, dizendo--lhe que as mulheres são para ser respeitadas e que Alice “era do melhor” que ele podia encontrar. A mãe, descobriu Alice anos mais tarde quando encontrou José a atirá-la para fora de uma bacia, era outra vítima. “Pega-lhe se quiseres, que eu não quero saber dela para nada”, resmungava José, que rejeitava a mãe inválida com a mesma indiferença com que, por nada, rejeitava a mulher. Quando o pai de José morreu, as tareias tornaram-se quase diárias. Num dia José ameaçava atirar a cara de Alice para dentro de uma cisterna de água, noutro atirava-lhe “uma forquilha de enjeitada”, noutro dava-lhe murros na cabeça porque ela gastara 3 euros na compra de um quilo de sardinhas ou tinha dado dinheiro à neta para ir comprar cebolas. Batia-lhe com as mãos, com paus, com as canadianas, com o que tivesse à mão. “Quando não batia passava a vida a judiar--me”, recorda Alice, segurando as palavras com os lábios, fazendo força com os incisivos. José desprezava os pequenos-almoços, atirava louça e comida para fora da mesa ao almoço e ao jantar e enquanto fazia as suas mãos caírem sobre Alice chamava-lhe galdéria, puta, vadia, ordinária.

Ela andava de cara negra, mas escondia, esfregava as feridas com álcool. Um dia, depois de ser operada a uma mão, e antes de se deslocar ao hospital para mudar o penso, nem com álcool resultou: a solução foi encobrir as nódoas negras com pó de arroz. Transformou--se na técnica de camuflagem preferida: Alice tratava da própria caracterização. Acordava religiosamente às quatro da manhã, todos os dias, e ia para o palheiro. Ele ficava na cama, mas às sete não admitia que ela não tivesse limpado o estrume, ordenhado 32 vacas e não viesse já com um pote de leite em cada mão, pronta para tratar do pequeno-almoço e seguir para as oliveiras. Ela não parava e ele trabalhava tão pouco que, naquela aldeia de Matas, 40 habitantes e a 6 quilómetros de Santarém, era conhecido como “o calão que moía a mulher com pancada”.

O crime São seis da manhã do dia 2 de Agosto de 2002, sexta-feira, e, enquanto José sangra no chão da cozinha, Alice grita pelas vizinhas. Conta que apareceram dois homens, de “cara tapada com capacetes” e vestidos com “uma farda castanha”, e que bateram em José até à morte para se vingarem de aventuras amorosas que ele levava em Santarém. Durante o fim-de-semana, em casa do filho, ao lado da nora e da neta, Alice anda nervosa mas mantém a versão dos factos que contou às vizinhas e à polícia. “Não conseguia contar, morria de vergonha”, lembra Alice, com as unhas unidas em cacho, na cozinha de móveis melancólicos da casa do filho, onde agora vive, numa localidade vizinha de Matas.

No dia 6 de Agosto, os inspectores batem à porta de casa e pedem a Alice que conte a verdade. Não precisaram de dizer que tinham encontrado as suas roupas ensanguentadas, com sangue de José. Alice desatou a chorar, deitou a cabeça no ombro do inspector e durante minutos só conseguiu repetir: “Não aguentei mais.” Era a sua confissão. Alice nunca soube distinguir se era homicida ou mártir.
António Teixeira, ex-inspector da PJ, nunca esqueceu a história de Alice. Usa--a até hoje como exemplo de que “homicidas somos todos nós, num momento de desvario e de desespero”, e repete a história com a pena de quem teve de prender alguém que matou mas o fez porque foi vítima. “Porque depois de anos a ser agredida houve um dia que não aguentou mais.” O ex-inspector tentou ajudar Alice. Almoçaram juntos e aconselhou-a a contar toda a história das agressões perante o juiz, naquela tarde, no Tribunal de Santarém. Alice fez tudo ao contrário. Estava tão nervosa que só continuava a repetir: “Perdoe-me, não queria matá-lo, mas não aguentei mais.” Não contou das tareias e das ofensas ao longo de 38 anos, não contou que José ameaçava matá-la se ela fizesse queixa, não contou sequer que nesse dia José agarrou numa faca para lhe cortar o pescoço. Nesse mesmo dia, António Teixeira e outros inspectores levaram Alice para o Estabelecimento Prisional de Tires. Era, na altura, uma das mulheres mais velhas presas no país. Dias depois, a 19 de Agosto, a tia Alice, como ficou conhecida na cadeia, recebe um bolo na prisão, mas não conta a ninguém que faz 72 anos.
A mentira contada após o homicídio e a omissão das agressões no primeiro depoimento no tribunal foram fatais. Foi condenada a 14 anos de prisão. Recorreu e conseguiu dez. Pelo meio recebeu um indulto presidencial de um ano do Presidente Jorge Sampaio. Seis anos de prisão depois, no dia 6 de Agosto de 2008, entrou no carro do filho e não olhou mais para Tires.

Perder ou vencer o combate? Alice tem 71 anos e um imenso cansaço. Na noite de 1 para 2 de Agosto de 2002 nem se lembra de dormir. Não por culpa da noite abafada naquela localidade de Santarém onde o Verão quando chega queima árvores, terra, rugas e o próprio ar. Anda às voltas na cama tão cansada como se ainda andasse de cócoras, no chão, a apanhar os bocados de jantar rejeitados pelo marido. Como sempre, durante 38 anos, é a primeira a levantar-se, ainda de madrugada, e o marido fica na cama. A ronha, nessa manhã, nem durou muito. Não tardou que José, três anos mais novo, se dirigisse à casa de banho e gritasse da sanita: “Ó Maria, anda cá limpar-me o rabo.” Ela, como em tantos outros dias, foi, enrolou o papel higiénico à volta da mão e limpou-lhe o rabo. Preparava-se para fazer o pequeno-almoço quando José se antecipou e disse que tratava de si. “Ainda bem. Assim vou mais depressa para a fazenda cortar os arrebentões das oliveiras”, respondeu Alice, já pronta para sair. José não consentiu aquela resposta. Agarrou numa faca da cozinha e Alice encolheu-se. Depois avançou para ela ameaçando cortar-lhe o pescoço. Alice soube que era ele ou ela. Procura um pau, mas não encontra. Sai do anexo e encontra um tubo – 81,3 centímetros de comprimento, 2,2 centímetros de diâmetro. E o diabo, como ela ainda hoje lhe chama, entra com ela na cozinha. O diabo eram aquelas nódoas negras na pele, o corpo calejado das tareias e das ameaças, os ecos de “limpa-me o rabo”, “vou matar-te”, “sua puta, galdéria, ordinária”. Alice puxa a mão para trás das costas e atinge José na cabeça, deitando-o ao chão. Volta a bater-lhe com o tubo na cabeça e no corpo. Uma, duas, não se lembra quantas vezes. José sangra e morre com uma fractura no crânio. Foi o momento em que a mulher perdeu o combate com uma barra de ferro.
o morto em casa Alice vive num anexo da casa da família do filho e não pára de repetir quanto adora filho, a neta, mas desfaz-se de amores sobretudo pela nora, a mais dura da família. Anda apoiada num pau e faz força numa perna para poder mexer a outra. Os cães seguem-na do laranjal para casa, da casa para o laranjal. A aldeia que a entendeu no momento do crime agora esqueceu-a. Alice, 79 anos, nunca mais recebeu visitas dos antigos vizinhos de Matas desde que saiu da prisão. O filho, que sabe que o pai morreu às mãos da mãe, mas também o conhecia melhor que ninguém, nunca a julgou. Clara, filha do primeiro casamento de José, abriu um processo para pedir uma indemnização a Alice pelos danos causados com a morte do pai. Clara, até aos 11 anos, ia duas vezes por semana a casa do pai; daí até aos 18 ia só aos domingos para pedir a mesada; a partir daí só o viu três ou quatro vezes antes de ele morrer.

No quarto Alice tem duas imagens de Nossa Senhora de Fátima e um postal de Natal que trouxe de Tires. A prisão afinal “não é um sítio tão fechado como pensava”, diz Alice, 79 anos, nenhum traço de infância no rosto. “E até tinha colegas em situações semelhantes”, como a mulher “que cortou o marido às postas”. A antiga casa de Alice já não existe e na nova não há fotografias de José. “Ele quer lá saber de fotografias. Ele é ruim, de ruindade mesmo. Deus nos livre de nos calhar um desses”, remata. Fala no presente como se o passado ainda existisse nele. Alice é viúva mas José ainda mora naquela casa.
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segunda-feira, 6 de maio de 2013

10 coisas que todo bom namoro tem...

Li este artigo  na Revista 21, achei alguma piada e decidi partilhar....

10 coisas que todo bom namoro tem


1 – Sexo de qualidade
Essa é uma questão muito pessoal – verdade. Para alguns casais de namorados nenhum sexo durante o namoro é o ideal. Mas, para quem não aderiu à castidade, é bom que sexo seja bem feito e com uma frequência razoável. E a única coisa que dá para generalizar a respeito da qualidade é que você deve sempre sentir prazer. Se não for uma delícia, repense.
2 – Brigas
Só quem briga de vez em quando sabe como é gostoso fazer as pazes. Brigar, sem desrespeitar o parceiro, é saudável e amadurece o relacionamento. Para isso, costumo fazer uma comparação com amizade. A gente só briga com os amigos que temos intimidade. Com os “colegas” a gente só conversa, pois uma briga poderia ser fatal para a amizade. Entendeu?

3 – Saudade
Dormir todo dia de conchinha é muito bom, mas  quando a pessoa sempre está ali disponível para se enroscar, com o passar dos anos, posições mais afastadas e que não compromete as suas costas, vão parecer mais atraentes. Por isso, é bom que um dos dois viaje sozinho, ou então passe um dia na casa de algum amigo. Na volta, isso fará sentido.
4 – Amizade
Alguns casais se apaixonam sem nunca terem sido amigos, sem mesmo saber qual a cor preferida do outro ou um segredo de infância que pode ser motivo de algum trauma da vida adulta. Não é errado começar um namoro assim, mas é preciso que haja espaço para desenvolver uma amizade. Como saber se você e seu namorado são amigos? Pergunte em frente ao espelho: você gostaria de ser amiga dele caso não houvesse paixão?
5 – Confiança
É insano conviver com alguém que você não confia ou que não confia em você. Se você já assistiu How I met your mother, deve lembrar de quando o Marshal ficou “devendo” cinco tapas na cara para o Barney - ele esperava ser surpreendido a qualquer momento. Com desconfiança é assim, qualquer movimento pode se transformar num momento desagradável, e muito tenso.
6 – Respeito
Quando não existe respeito, a hora de acabar já passou. Não ature frases como “é o meu jeito” ou “eu sou assim mesmo” para as atitudes grosseiras, até porque essas coisas geralmente pioram. E também tome cuidado para não perder o respeito pelo seu namorado. Tudo que desagrada ao outro para além do limite de “ceder”, chegando a fazer um dos dois “submeter-se”, deve ser revisto.

7 – Motel
Porque a própria cama pode ser macia e grátis, mas toda relação precisa de um tempero diferente (isso não vale para as castas, obviamente). Divirta-se: suítes temáticas, cadeiras diferentes, hidromassagem, champanhe, lingerie sensual, apetrechos de sex shop… Ir ao motel é sempre uma oportunidade para experimentar coisas novas, afinal ninguém vai para lá repetir a mesma coisa que faz em casa. Opa! É um motivo a mais, nada de monotonia em casa, ok?
8 – Viagens
O legal de viajar juntos é descobrir coisas novas ao mesmo tempo e ter experiências inéditas, para sentir de novo o sabor de primeira vez. Se você quer associar boas lembranças à histórias de vocês: façam as malas! E tirem fotos, façam um brinde, comprem um imã de geladeira e guardem para quando vocês dividirem uma.
9 – Surpresas
Mimos aleatórios deixam a vida mais interessante, pense neles quando estiver com saudade do seu namorado. Pode ser um convite inesperado, uma massagem nos pés, um e-mail apaixonado ou uma viagem de última hora. Tenha cuidado para não perder o bom senso, surpresas deve ser feitas só de vez em quando, senão perdem a graça. Ah! E tem que ser recíproca, e espontânea.
10 – Individualidade
Se vocês são um casal é porque gostam de passar bastante tempo juntos e compartilhar muitas coisas. Mas, nunca esqueça de preservar coisas que são de cada um. Se quando solteira você ia uma vez por mês a uma festa do pijama com suas amigas solteiras, não abandone. E daí que você não é mais solteira? Elas ainda são as suas amigas e essas coisas que vocês fazem juntas fazem parte da pessoa solteira pela qual o seu namorado se apaixonou. O mesmo serve para ele: encoraje-o a manter as atividades com os amigos, se ele abandoná-las por completo, vai se tornar uma pessoa entediante e com poucas novidades para contar.

O casamento de Keira Knightley...

                                           A Keira Knightley casou-se e a simplicidade fala por si...


quinta-feira, 2 de maio de 2013

Pequenas Mentirosas...

Estou viciada na série "Pequenas Mentirosas"!


Em modo DELETE...

Pudesse eu fazer delete a determinadas pessoas e situações na minha vida...

Ninguém Tem Pena das Pessoas Felizes - por MEC

 Ninguém tem pena das pessoas felizes. Os Portugueses adoram ter angústias, inseguranças, dúvidas existenciais dilacerantes, porque é isso que funciona na nossa sociedade. As pessoas com problemas são sempre mais interessantes. Nós, os tontos, não temos interesse nenhum porque somos felizes. Somos felizes, somos tontaços, não podemos ter graça nem salvação. Muitos felizardos (a própria palavra tem um soar repelente, rimador de «javardo») vêem-se obrigados a fingir a dor que deveras não sentem, só para poderem «brincar» com os outros meninos.
É assim. Chega um infeliz ao pé de nós e diz que não sabe se há-de ir beber uma cerveja ou matar-se. E pergunta, depois de ter feito o inventário das tristezas das últimas 24 horas: «E tu? Sempre bem disposto, não?». O que é que se pode responder? Apetece mentir e dizer que nos morreu uma avó, que nos atraiçoou uma namorada, que nos atropelaram a cadelinha ali na estrada de Sines.
E, no entanto, as pessoas felizes também sofrem muito. Sofrem, sobretudo, de «culpa». Se elas estão felizes, rodeadas de pessoas tristes, é lógico que pensem que há ali qualquer coisa que não bate certo. As infelizes acusam sempre os felizes de terem a culpa. É como a polícia que vai à procura de quem roubou as jóias e chega à taberna e prende o meliante com ar mais bem disposto. Em Portugal, se alguém se mostra feliz é logo suspeito de tudo e mais alguma coisa. «Julgas que é por acaso que aquele marmanjo anda tão bem disposto?», diz o espertalhão para outro macambúzio. É normal andar muito em baixo, mas há gato se alguém andar nem que seja só um bocadinho «em cima». Pensam logo que é «em cima» de alguém.

Ser feliz no meio de muita gente infeliz é como ser muito rico no meio de um bairro-de-lata. Só sabe bem a quem for perverso.
Infelizmente, a felicidade não é contagiosa. A alegria, sim, e a boa disposição, talvez, mas a felicidade, jamais. Porque a felicidade não pode ser partilhada, não pode ser explicada, não tem propriamente razão. Não se pode rir em Portugal sem que pensem que se está a rir de alguém ou de qualquer coisa. Um sorriso que se sorria a uma pessoa desconhecida, só para desabafar, é imediatamente mal interpretado. Em Portugal, as pessoas felizes sofrem de ser confundidas com as pessoas contentes.

Miguel Esteves Cardoso, in 'Os Meus Problemas'